quarta-feira, 29 de abril de 2009

PALESTRAS DO INSTITUTO HISTORIAR

Dando prosseguimento ao seu objetivo, que é levar o conhecimento da História de Campos dos Goytacazes às escolas, o Instituto Historiar (agora em parceria com a Fundação Zumbi dos Palmares), através de seus componentes: Hélvio Cordeiro, Leandro Cordeiro, Enockes Cavalar e Ruan Lima, estiveram no dia 27 deste mês no Centro Juvenil São Pedro Salesiano, onde foram feitas duas palestras, com a participação da Direção, Coordenação, dos Professores Orientadores e dos Alunos.
Nós do Instituto Historiar e da Fundação Zumbi dos Palmares queremos agradecer a acolhida carinhosa e atenciosa com que fomos recebidos por todos e reiterar o desejo de podermos estar juntos em novas oportunidades. Ficamos maravilhados com o trabalho que é desenvolvido no Centro Juvenil São Pedro Salesiano. Achamos que todos os campistas deveriam conhecer o trabalho que é desenvolvido lá. Um agradecimento ao diretor Pe. Waldemar Zoppé, aos Educadores diretos e indiretos: Elza Maria, Marcelo Melo, Ricardo Viana, Vanda Oliveira, Jovana Patrícia, Fabiana Aparecida, Cristiane Gomes, Beatriz Matheus e Carlos Augusto. Em especial a Alessandra Matheus, Thatiana Monteiro, Daniela Silva, Clarianne de Azeredo, Alexandro Terra, Eliana do Nascimento e aquele lanchinho gostoso feito por Cleidiana de Souza. A todos vocês do Centro Juvenil o nosso muito obrigado. Veja abaixo algumas imagens do evento.














Texto: Hélvio Gomes Cordeiro (membro do Instituto Historiar)
Fotos: Leandro Lima Cordeiro (membro do Instituto Historiar).







domingo, 26 de abril de 2009

Série Presidentes do Brasil

JOÃO BAPTISTA DE OLIVEIRA FIGUEIREDO
Nasceu no dia 15 de janeiro de 1918, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Filho de Euclydes de Oliveira Figueiredo e de Valentina Silva de Oliveira Figueiredo. Aluno brilhante, Figueiredo gostava especialmente de Matemática, mas sempre tirou o primeiro lugar em todas as matérias no Colégio Militar de Realengo. Em 1937, no início do Estado Novo, Figueiredo foi declarado aspirante da Arma de Cavalaria. Em virtude de sua condição de 1º aluno da classe, recebeu o espadim das mãos do próprio Getúlio Vargas. Formado em primeiro lugar em 1937, promovido a segundo-tenente em abril de 1938 e já primeiro-tenente em dezembro de 1940, Figueiredo foi mandado para o 8º Regimento de Cavalaria, em Uruguaiana, Rio Grande do Sul. Voltou ao Rio de Janeiro no ano seguinte, passando a atuar como ajudante-de-ordens do general Cristóvão de Castro, até 1943. Casou-se com Dulce Maria de Guimarães Castro. No início de 1944, tornou-se instrutor de cavalaria na Escola Militar de Realengo até 1945. Fez o curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e, nos anos seguintes, foi instrutor de Fortificações da Escola Militar de Resende, que depois passou a se chamar Academia das Agulhas Negras. Promovido a major em 1953, entrou para a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Tenente-coronel em 1958 serviu na 5ª Seção do Estado-Maior do Exército, onde ficou até 1960, de onde saiu para a Escola Superior de Guerra. Em 1961, foi secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional. Promovido a coronel em 1964, assumiu a chefia da agência do SNI no Rio de Janeiro. Em 1966, foi transferido para São Paulo e, de 1967 a 1969, comandou a Polícia Militar desse Estado. Em 1969, no dia da posse do general Médici na Presidência da República, foi nomeado chefe do Gabinete Militar. Promovido a general-de-divisão, reassumiu a chefia da SNI em 1974, ficando até 1978, quando foi eleito Presidente da República pelo Colégio Eleitoral. Assim como ocorrera na eleição de Geisel, houve outra candidatura. O nome cogitado foi o do senador pela Arena de Minas Gerais Magalhães Pinto, que acabou desistindo de concorrer. Na chapa do general Figueiredo, foi eleito vice-presidente Aureliano Chaves, ex-governador do Estado de Minas Gerais. Os fatos que marcaram o governo do general João Figueiredo foram sem dúvida a “abertura política”, a Lei da Anistia e a crise econômica. Ao assumir, Figueiredo deixou clara sua intenção de conduzir a abertura em um ritmo compatível com a segurança do regime. Ao receber a faixa presidencial, no dia 15 de março de 1979, comprometeu-se a restaurar a democracia e a estabilidade econômica: “Reafirmo, portanto, os compromissos da Revolução de 1964, de assegurar uma sociedade livre e democrática”. Mas o cenário seguinte mostrou uma grave crise econômica e energética. As taxas de juros subiram cada vez mais, ao mesmo em tempo que o nível de atividade econômica decresceu. No primeiro ano de governo, veio o choque nos preços do petróleo. As taxas de juros internacionais bateram todos os recordes, e a economia dos países industrializados caiu numa recessão. A inflação teve uma trajetória ascendente, as contas externas tornaram-se críticas. A política de ajuste econômico norte-americano provocou quatro grandes problemas no Brasil: alta geral dos juros, recessão global, queda de preços de matérias-primas e interrupção de créditos internacionais. Por essa razão, alguns passaram a definir os anos 80 como “a década perdida”. Mas, apesar dos perigos, a democracia foi reconduzida com poucos traumas. A onda grevista começou com os metalúrgicos de São Bernardo, espalhando-se por Santo André, São Caetano e Diadema, paralisando mais de 200 mil trabalhadores, que reivindicavam aumento de 70% nos salários, garantia de reajustes trimestrais e piso de três salários-mínimos. Em 1979, por intervenção do governo nos sindicatos paulistas, foram afastados os dirigentes, entre eles Luiz Inácio da Silva, o Lula. Em 1980, nova greve dos metalúrgicos, liderados por Lula. Ficaram parados por 41 dias. Foram presos 64 líderes, 13 denunciados à Justiça (entre eles Lula), por infringir a Lei de Segurança Nacional de 1969. Em outubro, Figueiredo sancionou nova política salarial, com reajustes semestrais. A Lei nº 6.708 definiu percentuais maiores para quem ganhava abaixo de três salários-mínimos e menores para quem recebia mais de dez salários-mínimos. Para o nível intermediário, 100% da inflação mais uma parcela por produtividade. A liberação seguia com a Lei da Anistia e a eleição direta para governador. Nessa época, uma frase atribuída a Figueiredo ficou famosa: “Lugar de brasileiro é no Brasil”. Assim, em agosto de 1979, foi assinada a Lei nº 6.683, que ficou conhecida como “Lei da Anistia”. Essa Lei beneficiou os exilados políticos e também os “agentes da repressão”, assim chamados pela oposição àqueles que tinham ficado no país, “prendendo, torturando e matando”. O ex-governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, foi um dos primeiros a chegar ao Brasil, depois de quinze anos exilado. A seguir, chegaram: Miguel Arraes, Márcio Moreira Alves, Gregório Bezerra, Luís Carlos Prestes, Darcy Ribeiro entre outros. Em 1979, Figueiredo promoveu a reforma partidária. Foi estabelecido o pluripartidarismo, extinguindo-se a Arena e o MDB. Surgiu então: Partido Democrático Social, Partido do Movimento Democrático Brasileiro, Partido Trabalhista Brasileiro, Partido Democrático Trabalhista, Partido Popular, e Partido dos Trabalhadores. O presidente do PDS era o senador José Sarney, do PMDB, o deputado Ulysses Guimarães, o PTB, por Leonel Brizola e Ivete Vargas, tendo a sobrinha de Getúlio, vencido a disputa no TSE. Brizola, então, fundou o Partido Democrático Trabalhista. Tinha também Tancredo Neves à frente do PP, e Luiz Inácio da Silva, o Lula no PT. Durante o ano de 1980, 46 atos terroristas aconteceram. Alguns como: o seqüestro do professor da Faculdade de Direito da USP, Dalmo Dallari; atentados noturnos contra bancas de jornais que vendiam publicações esquerdistas; cartas-bombas mandadas ao vereador Antônio Carlos de Carvalho e a Eduardo Seabra Fagundes, presidente da OAB, que explodiu, matando a funcionária Lyda Monteiro da Silva. Em novembro, com a Emenda Constitucional nº 15, o Congresso Nacional aprovou o projeto do governo que acabou com as eleições indiretas para o Senado e estabeleceu eleições diretas para governador, restando somente como indiretas as eleições dos prefeitos de capitais e de áreas de interesse da segurança nacional. Um dos atentados que mais repercutiu, foi o de 30 de abril de 1981, no Riocentro. A intenção era causar pânico e mortes durante um festival de música organizado em comemoração ao Dia do Trabalho. Uma bomba detonou na casa de força, mas não cumpriu o objetivo de deixar a sala de espetáculo às escuras. Uma segunda bomba explodiu dentro de um carro Puma, no colo do sargento Guilherme Pereira do Rosário, que morreu na hora. Foi atingido também seu companheiro, o capitão Wilson Luís Chaves Machado, que perdeu uma perna. Só dezenove anos depois foi apurado que os atentados teriam sido praticados por militares radicais do DOI-Codi do Rio de Janeiro. A recessão de 1981 a 1983 fez crescer o desemprego. O Brasil, que se sustentava graças a empréstimos de curto prazo, garantidos pelo Banco Central, recorreu ao FMI. No dia 15 de novembro de 1982, 40 milhões de brasileiros foram às urnas para eleger de vereadores a governadores. Era a primeira vez, desde 1965, que se realizavam eleições diretas. Apesar das divergências com o FMI, o Brasil conseguiu fechar um acordo de concessão de crédito, e receberia 4,8 bilhões de dólares no prazo de três anos. Em contrapartida, deveria promover um severo plano de reajuste econômico. Em janeiro de 1984, num grande comício em São Paulo, reuniu mais de 200 mil pessoas. Os meios de comunicação, que praticamente ignoravam o movimento de eleições diretas para presidente, começaram a cobrir os eventos. O país foi empolgado pelas “Diretas Já”. De mãos dadas, a multidão cantou o Hino Nacional. Em maio de 1984, nove governadores de oposição se reuniram em São Paulo para lançar a candidatura do governador de Minas Gerais, Tancredo Neves, à Presidência da República. O partido celebrou acordo com o PFL, formando a Aliança Democrática, apontando José Sarney como candidato a Vice-Presidente. Nas eleições indiretas de 1985, venceu Tancredo Neves, que antes da posse, quando negociava a formação de seu Ministério, sentiu fortes dores abdominais, mas preferiu calar-se, convencido de que, a qualquer contratempo, os militares não fariam a transição do poder. Foi montado um esquema para garantir a posse dos civis eleitos. Porém, no dia 14 de março, não suportando mais as dores, Tancredo Neves foi levado ao Hospital de Base, para receber alguma medicação que o mantivesse em pé na cerimônia de passagem da faixa presidencial. A situação de Tancredo era mais grave do que se pensava e ele foi mantido internado. No dia 15 de março, foi o Vice-Presidente José Sarney quem assumiu a Presidência da República. Figueiredo recusou-se a passar-lhe a faixa presidencial. Na opinião dele, o poder deveria ser passado a Ulysses Guimarães, presidente da Câmara dos Deputados, que prepararia novas eleições. O general Figueiredo deixou o Palácio do Planalto pela porta dos fundos. Quando saiu do governo, recolheu-se ao silêncio e ao convívio de um restrito grupo de amigos. Figueiredo morava no Rio, mas seu refúgio era o Sítio do Dragão. Em 1990, exames diagnosticaram edema pulmonar e isquemia. Em 1995, operou um aneurisma abdominal na Casa de Saúde São Vicente, no Rio de Janeiro. Quando a operação terminou, João Figueiredo estava quase cego. Suas córneas haviam ressecado, perdendo 70% da visão. João Baptista de Oliveira Figueiredo morreu em seu apartamento de São Conrado, vítima de insuficiência renal, cardíaca e respiratória na manhã da véspera do Natal, 24 de dezembro de 1999. Estava com 81 anos. Foi parte de seu discurso: “[...] Os passos de Vossa Excelência, eu os acompanhei em toda minha vida. Para mim, Ernesto Geisel foi exemplo de virtudes militares e cívicas a seguir e emular. Deus me premiou ao fazer-me receber esta faixa, insígnia da mais alta magistratura de nossa Pátria, das mãos honradas de Vossa Excelência. [...] Reafirmo, portanto, os compromissos da Revolução de 1964, de assegurar uma sociedade livre e democrática. Por todas as formas a seu alcance, assim fizeram, nas circunstâncias de seu tempo, os presidentes Castello Branco, Costa e Silva, Emílio Médici e Ernesto Geisel. [...] Reafirmo: cada brasileiro tem direito de receber do Estado os cuidados básicos com a saúde, a segurança e a educação dos seus filhos [...] Vou entregar-me de corpo e alma às tarefas do Governo, para assegurar uma administração eficiente e proba [...] É o que espero fazer, com a ajuda de Deus e dos brasileiros. Muito obrigado”.

João Figueiredo

Pesquisa: Hélvio Gomes Cordeiro (membro do Instituto Historiar).
Fonte: Presidentes do Brasil, Editora Rio.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

PALESTRAS DO INSTITUTO HISTORIAR

Realizadas nos dias 06 e 07 deste mês, no Centro Educacional Presbiteriano de Campos (CEPC), mais uma série de palestras do Instituto Historiar, proferidas por seus componentes, Hélvio Cordeiro, Enocks Cavalar e Leandro Cordeiro. O Historiar agradece às professoras Patrícia Serafim, Gerusa, Felipe, à Direção da Escola e todo o seu corpo de funcionários e alunos, que contribuíram em muito para que os palestrantes pudessem alcançar o seu objetivo. O Instituto Historiar, através de sua diretoria, agradece o carinho com que foi recebido.Veja abaixo algumas imagens do evento.









Texto: Hélvio Cordeiro
Fotos: Instituto Historiar.























domingo, 19 de abril de 2009

Série Presidentes do Brasil

ERNESTO GEISEL
Nasceu no dia 03 de agosto de 1907, no município de Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul. Filho de Augusto Guilherme Geisel e Lydia Beckmann. Ernesto Geisel começou a ler com a mãe, incentivado por um vintém de cobre a cada lição aprendida. Quando novo, questionava a mãe pela necessidade de estudar tanto, já que queria ser carroceiro. Aos cinco anos de idade foi matriculado no Colégio Elementar em Bento Gonçalves. Em 1914, no segundo ano primário, foi agraciado com a medalha “Prêmio do Mérito, por aplicação, assiduidade e comportamento”. Em 1920, como não havia vagas no Colégio Militar, Ernesto Geisel passou o ano em Porto Alegre, na casa de um militar português. Em 1921 finalmente ingressou no estabelecimento de ensino militar. Para poder ser aceito na instituição, Ernesto Geisel teve o ano de sua data de nascimento alterado de 1907 para 1908. Concluída mais uma etapa de sua formação acadêmica em Porto Alegre, Ernesto Geisel transferiu-se em 1925 para o Rio de Janeiro, onde foi cursar a Escola Militar. Casou-se no dia 10 de janeiro de 1940 e desse casamento tiveram dois filhos: Orlando e Amália Lucy. Não que estivesse predestinado, mas estava, de certa forma, preparado para a Presidência, pois tinha experiência em várias situações, em vários setores. Geisel atingiu a patente máxima do Exército, tornando-se general, e para isso passou pelas promoções usuais: segundo-tenente em 1928; tenente em 1930; capitão em 1935; major em 1943; tenente-coronel em 1948; coronel em 1953; general-de-brigada em 1961; general-de-divisão em 1964; e general-de-Exército em 1966. Em função da “Revolução de 30”, aos 23 anos foi convidado para ser secretário de Estado da Paraíba, onde ordenou a construção do Porto de Cabedelo, marco importante para o Estado. Depois foi indicado para o cargo de secretário da Fazenda e Obras Públicas do Rio Grande do Norte, entre os anos de 1934 e 1935. Em 1935, passou a integrar o Grupo Escola de Artilharia, no Rio de Janeiro; foi designado como instrutor de Artilharia na Escola Militar do realengo em 1939, permanecendo no posto até 1943. Em 1945, foi transferido para a Seção de Operações do Estado-Maior da 3ª Região Militar, em Porto Alegre, e ainda nesse mesmo ano fez um rápido estágio no Army Command and General Staff College, em Fort Leavenworth, nos Estados Unidos. Chefiou a Secretaria Geral do Conselho de Segurança Nacional, durante o governo Dutra, e pouco depois, foi nomeado adido militar junto à Embaixada Brasileira no Uruguai. No retorno ao Brasil, no início de 1950, passou a ser adjunto do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA). Em 1954, passou a comandar o 8º Grupo Superior de Guerra (ESG), e dois anos depois, em 1954, passou a comandar o 8º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado. Foi também, em 1955, subchefe do Gabinete Militar do Presidente Café Filho e colocado à disposição da Petrobras, criada no ano anterior. Assumiu a Superintendência Geral da Refinaria de Cubatão (a primeira refinaria brasileira). Depois de um drama familiar, com a perda do filho, assumiu a chefia da Seção de Informações do Estado-Maior do Exército (EME), acumulando também a função de representante do Ministério da Guerra no Conselho Nacional de petróleo. Foi também responsável pelo Comando Militar de Brasília em 1961; chefe do Gabinete Militar da Presidência da República em 1961 e depois entre 1964 e 1967, e ministro do Supremo Tribunal Militar, de 1967 a 1969. Com a experiência que adquiriu, chegou à Presidência da Petrobras. Ficou na presidência da Petrobras por quatro anos, desligando-se para assumir a Presidência da República. O general Geisel foi escolhido para a sucessão do Presidente Médici como candidato da Aliança Renovadora Nacional. A escolha de Ernesto Geisel para a Presidência, desagradou a uma parte dos militares chamados “linha dura”, pelo fato dele ser considerado como favorável à liberalização do regime. Enquanto sua candidatura era apresentada, o mundo vivia a primeira grande crise do petróleo, com o preço do barril saltando de U$ 2,5 para U$ 10,5 em um período de tempo muito curto. O Brasil que era naquela época, o terceiro importador mundial de óleo cru, foi surpreendido pela crise. Geisel foi o primeiro a ser eleito através do “Colégio Eleitoral”, que era formado pelos membros do Congresso Nacional (senadores e deputados), e de representantes das Assembléias Legislativas Estaduais, em número proporcional ao da representação dos Estados na Câmara dos Deputados. Foi o primeiro dos generais do regime militar a disputar a Presidência com um candidato apresentado pelo Movimento Democrático Brasileiro. Na eleição indireta do “Colégio Eleitoral” de 1974, Ulysses Guimarães e seu vice, Barbosa Lima Sobrinho, perderam para o general Geisel, que teve 400 votos. Os militares procuravam um governante que pudesse fazer o processo de “abertura” de forma gradual. Era preciso organizar a volta dos militares aos quartéis. A situação política pela qual passara o país, que culminou no movimento político-militar de 1964, e se estendeu ainda por mais uma década. No plano econômico, solicitou ao ministro do Planejamento uma estratégia para adaptar a realidade brasileira à nova condição imposta pela crise internacional de energia, causada pela elevação dos preços do petróleo. Em 1975, foi concretizada a fusão dos antigos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, formando o novo Estado do Rio de Janeiro e o município do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, foi suspensa a censura prévia à imprensa (o primeiro jornal liberado foi “O Estado de São Paulo”) sugerindo uma nova postura, embora fossem mantidas medidas repressivas contra os militantes do Partido Comunista Brasileiro. Os militares interpretavam a ordem de reprimir a seu modo e continuavam sendo acusados de promover torturas e desaparecimentos de presos políticos. O Presidente Ernesto Geisel se manifestou contrário a maneira como vinha agindo o DOI-Codi (Destacamento de Operações e Informações e Centro de Operações de defesa Interna). Outros acontecimentos marcaram esse departamento, como a tortura e morte do jornalista da TV Cultura de São Paulo, Vladimir Herzog, em 1975. No ano seguinte, mais uma morte creditada ao DOI-Codi, o metalúrgico Manuel Fiel Filho. Tentando impor limites aos militares, o general Geisel substituiu o comando do II Exército de São Paulo, responsabilizado pelas ações. Neste ano, também, reconheceu o novo governo socialista de Angola, retomou relações diplomáticas com Moçambique e votou por retaliações contra o regime racista da África do Sul. Foi criada a Lei Falcão (considerado o maior retrocesso da abertura política à época). Numa atitude autoritária, o general Geisel fez uso do AI-5 e fechou o Congresso Nacional em 1º de abril de 1977. Foi criada a figura do Senador indicado, que passou a ser chamado de “senador biônico”, em alusão à postura de robô ou fantoche. No ano de 1978, em algumas regiões do país, o sindicalismo foi reestruturado. Liderado pelo líder metalúrgico Luiz Inácio da Silva, o “Lula”, organizando greves com adesão em massa. Nesse mesmo ano foi criada uma Emenda Constitucional com o número 11, que revogava o AI-5, revogando também, decretos de banimentos de cerca de cem exilados pelos governos de 1964. Foi criado o programa de cooperação nuclear com a Alemanha com investimento de 10 bilhões, que previam a construção de oito centrais de enriquecimento de urânio, só sendo construídas duas usinas. Foi criado também o Proálcool, que regulamentava o uso do álcool anidro, e também o limite de velocidade máxima nas rodovias em 80 quilômetros. Indicando como seu sucessor o general João Baptista de Oliveira Figueiredo, o general Geisel concluiu sua meta de governo, que preparava a “abertura lenta e gradual”, que seria concluída no próximo governo. Depois da Presidência, assumiu a direção da Nordeste Química S.A., e depois de mais alguns anos tornou-se presidente do Conselho de Administração da Copene. Ernesto Geisel morreu no dia 12 de setembro de 1996, aos 88 anos, depois de lutar contra um câncer na coluna vertebral, vindo a falecer na Clínica São Vicente. O corpo do ex-presidente foi velado no Palácio das Laranjeiras e enterrado no Cemitério São João Batista. Foi parte de seu discurso: “Exmo. Sr. Presidente Emílio Garrastazu Médici. Ao receber das mãos dignas de V.Exa. a faixa presidencial, sinto-me duplamente honrado, não só pela insigne distinção que me é conferida, de exercer a suprema magistratura da Nação, mas ainda por me caber prosseguir a notável obra de Governo que V.Exa., com o aplauso geral dos brasileiros, vem de realizar nestes últimos quatro anos. [...] Que Deus dê forças a mim, clarividência e energia para levar avante esse legado superior de consciência cívica e de pragmatismo criador para o bem de nossa pátria e o bem-estar de nosso povo [...]”.

Ernesto Geisel


Pesquisa: Hélvio Gomes Cordeiro (membro do Instituto Historiar).

Fonte: Presidentes do Brasil, Editora Rio.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

PALESTRA NO BARTHOLOMEU LYSANDRO

O Instituto Historiar, dando prosseguimento a seu trabalho de levar o conhecimento da História de Campos dos Goytacazes às escolas, desta vez, a convite do Colégio Cenecista Bartholomeu Lysandro, através de sua Coordenadora Cláudia Melo, ofereceu uma tarde de palestra sobre o tema “Trajetória da criação de Campos dos Goytacazes”. O trabalho foi apresentado por componentes do Instituto, contando com a participação ativa dos professores: José Carlos, Cláudio, Isabela, do professor de História Renato, com o apoio de Jorginho e demais funcionários e Direção. O Instituto Historiar agradece, em especial, aos alunos que participaram de maneira ativa e brilhante, valorizando bastante o trabalho apresentado.Veja abaixo algumas fotos do evento.








Texto: Hélvio Gomes Cordeiro (membro do Instituto Historiar)

Foto: Leandro Lima Cordeiro.



segunda-feira, 13 de abril de 2009

Centenário do Hino Nacional Brasileiro

Completa hoje (13/04/2009) cem anos de criação do Hino Nacional Brasileiro, veja abaixo a sua história.
HISTÓRIA DO HINO NACIONAL BRASILEIRO
Em 1831, Dom Pedro anunciou que estava deixando o trono de imperador do Brasil para seu filho e voltaria a Portugal. Foi a oportunidade que o músico Francisco Manuel da Silva estava esperando para apresentar a sua composição. Ele colocou a letra de um verso do desembargador Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva e o hino foi cantado pela primeira vez no dia 13 de abril de 1831, na festa de despedida de Dom Pedro I. Durante algum tempo, porém, a música teve o nome de "Hino 7 de Abril", data do anúncio da abdicação.
A letra de Ovídio Saraiva foi considerada ofensiva pelos portugueses. Eles foram chamados até de "monstros". Por isso, ela foi esquecida em pouco tempo, mas a partitura de Francisco Manuel da Silva começou a ser executada em todas as solenidades públicas a partir de 1837. Para comemorar a coroação de Dom Pedro II, em 1841, o hino recebeu novos versos, de um autor desconhecido. Por determinação de Dom Pedro II, a música passou a ser considerada o Hino do Império e deveria ser tocada todas vezes em que ele se apresentasse em público, em solenidades civis e militares, mas sem letra. Era também tocada no exterior sempre que o imperador estivesse presente. Francisco Manuel ficou bastante famoso. Recebeu vários convites para dirigir, fundar e organizar instituições musicais. Mas o Brasil continuava com um hino sem letra.
Quando a República foi proclamada, em 1889, o governo provisório resolveu fazer um concurso para escolher um novo hino. Procurava-se algo que se enquadrasse no espírito republicano. Primeiro escolheram um poema de Medeiros e Albuquerque, que tinha sido publicado no jornal Diário do Comércio do Rio de Janeiro em 26 de novembro de 1889. É aquele que começa com o verso "Liberdade, Liberdade, abre as asas sobre nós". A letra se encontrava à disposição dos maestros que quisessem musicá-la. No primeiro julgamento, dia 4 de janeiro de 1890, 29 músicos apresentaram seus hinos. A Comissão Julgadora selecionou quatro para a finalíssima.
No dia 15 de janeiro, numa sessão em homenagem ao Marechal Deodoro no Teatro Santana, perguntaram ao novo presidente se ele estava ansioso pela escolha do novo hino. Ele disse: "Prefiro o velho". Cinco dias depois, no Teatro Lírico do Rio de Janeiro, uma banda marcial composta de 70 figurantes, fanfarra e coro de 30 vozes regida pelo maestro Carlos de Mesquita executou as músicas finalistas. Na ordem, os hinos de Antonio Francisco Braga, Jerônimo de Queirós, Alberto Nepomuceno e Leopoldo Miguez. Nessa primeira audição, segundo o regulamento, estavam proibidos os aplausos. Após um curto intervalo, a banda executou de novo os quatro hinos. Aí, sim, o público pôde se manifestar. O mais aplaudido foi o do maestro Miguez, que também foi escolhido pela Comissão Julgadora. O presidente Deodoro e quatro ministros deixaram o camarote oficial e voltaram em seguida. O ministro do Interior, Aristides Lobo, leu o decreto que conservava a música de Francisco Manuel da Silva como hino nacional. Mesmo sem a partitura, a orquestra tocou a música e a platéia delirou. Como prêmio de consolação, a obra de Medeiros e Albuquerque e de Leopoldo Miguez ficou conhecida como o Hino da Proclamação da República. Só que o problema persistia: o Brasil tinha um hino sem letra. Mas, se a música já era tão bonita, por que precisava de uma letra? Por mais que alguém se habitue a uma música, se ela não tiver letra, fica mais difícil de ser memorizada.
Só em 1909 é que apareceu o poema de Joaquim Osório Duque Estrada. Não era ainda oficial. Tanto que, sete anos depois, ele ainda foi obrigado a fazer 11 modificações na letra. Duque Estrada ganhou 5 contos de réis, dinheiro suficiente para comprar metade de um carro. O Centenário da Independência já estava chegando. Aí o presidente Epitácio Pessoa declarou a letra oficial no dia 6 de setembro de 1922. Como Francisco Manuel já tinha morrido em 1865, o maestro cearense Alberto Nepomuceno foi chamado para fazer as adaptações na música. Finalmente, depois de 91 anos, nosso hino estava pronto!
(Artigo de Marcelo Duarte publicado na revista Almanaque Brasil, da TAM)

OS AUTORES
Francisco Manuel da Silva (1794-1865)





Compositor brasileiro, nasceu e morreu no Rio de Janeiro. Foi aluno do padre José Maurício e, mais tarde, de Sigismund Neukomm. No reinado de Dom João VI, fez parte da orquestra da capela real como timbaleiro e segundo violoncelista. Grande organizador da vida musical brasileira, fundou e dirigiu a Sociedade de Beneficência Musical (1833), dirigiu a orquestra da Sociedade Filarmônica (a partir de 1834) e compôs valsas, peças para canto e piano (modinhas, lundus), um hino à Coroação (1841) e música religiosa. Escreveu ainda diversas obras de teoria musical.
De temperamento revolucionário, compôs em 1831 uma melodia patriótica para comemorar a abdicação de Dom Pedro I. Com a letra que recebeu mais tarde, essa composição foi adotada como Hino Nacional do Brasil.


Manuscrito do Hino Nacional com autógrafo de Joaquim Osório Duque Estrada, datado de 3 de agosto de 1922 e ofertado à Academia Brasileira de Letras, em sessão de 21 de setembro de 1922, pelo próprio.

Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927)



Poeta, teatrólogo, ensaísta, crítico e professor, autor da letra do Hino Nacional, nasceu em Pati dos Alferes - RJ a 29 de abril de 1870 e faleceu no Rio de Janeiro a 5 de fevereiro de 1927. Foi professor de português e História do Brasil na Escola Normal e no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e crítico literário do Correio da Manhã e do Jornal do Brasil, na mesma cidade. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e deixou várias obras poéticas e didáticas: 'Questões de Português', 'Noções Elementares de Gramática Portuguesa', 'Concurso de Obras sobre Língua Portuguesa', 'Alvéolos' (1887), 'Flora de Maio' (1902), 'O Norte' (1909), 'A Arte de Fazer Versos' (1912), 'História do Brasil' (1918), 'A Abolição' (1918), 'Crítica e Polêmica' (1924).


HINO NACIONAL
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,
De amor e de esperança a terra desce.
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,Brasil!
Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos tem mais flores,
"Nossos bosques tem mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
Pesquisa: Leandro Cordeiro (membro do Instituto Historiar).
O Instituto Historiar é formado por: Hélvio Cordeiro, Leandro Cordeiro e Enockes Cavalar.

domingo, 12 de abril de 2009

Série Presidentes do Brasil

EMÍLIO GARRASTAZU MÉDICI:
Nasceu no dia 04 de dezembro de 1905, em Bagé, Rio Grande do Sul. Filho de Emílio Médici e de Júlia Garrastazu Médici. Até os 12 anos freqüentou o colégio do professor Charles Dupont, em Bagé, onde era bom aluno e mais tarde sendo inscrito no Colégio Militar de Porto Alegre, em 1918. Pouco depois de concluir os estudos, em 1922, mudou-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Em 1924, entrou na Escola Militar do Realengo, terminando o curso em 1927 como aspirante a oficial da Arma de Cavalaria. No mesmo ano, Médici foi designado para o 12º Regimento de Cavalaria em sua cidade natal, Bagé. No mesmo ano foi promovido à segundo-tenente e, em 1929 chegou a primeiro-tenente. Em 1931, casou-se com Scyla Gaffré Nogueira, e tiveram dois filhos: Roberto e Sérgio. Em 1934, foi promovido a capitão. Durante o Estado Novo (1937-1945) esteve como ajudante-secretário na Escola de Estado-Maior, no Rio de Janeiro, entre 1937 e 1939, ano em que entrou para a Escola de Armas também na antiga capital federal. Neste mesmo ano, voltou ao Rio Grande do Sul para servir no 8º Regimento de Cavalaria Independente, em Uruguaiana. No início de 1940, retornou à Escola de Armas como auxiliar-instrutor. Em 1943, foi promovido a major, e em março do ano seguinte concluiu o curso de Estado-Maior. Em maio de 1945, foi transferido para o Estado-Maior da 3ª Divisão de Cavalaria de Bagé, onde assumiu a chefia do Estado-Maior daquela divisão. Em junho de 1948, foi promovido a tenente-coronel, seguindo, em 1950, para assumir a chefia da seção de informações do Estado-Maior regional do Quartel-General da 3ª Região Militar em Porto Alegre. Promovido a coronel em julho de 1953, sendo designado para comandar em Porto Alegre o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva. Entre 1957 e 1959 foi chefe do Estado-Maior. Em 1960, Médici foi nomeado subcomandante da Academia Militar de Agulhas Negras, na cidade de Resende, Estado do Rio de Janeiro. Em 1961, chegou a general-de-brigada, assumindo o comando da 4ª Divisão de Cavalaria, na cidade de Campo Grande, então Estado de Mato Grosso. Em 1964, participou intensamente das mobilizações do Exército que tornaram vitorioso o movimento político-militar que assumiu o poder. No início de abril de 1964, Médici foi nomeado adido militar em Washington, Estados Unidos. Em 1965, foi promovido a general-de-divisão. Assumiu a chefia do Serviço Nacional de Informação ocupando de 1967 a 1969. Em março de 1969, recebeu a quarta estrela de general. Um mês depois, assumiu o comando do III Exército no Rio Grande do Sul. Em 14 de outubro de 1969, por meio do Ato Institucional nº 16/69, o governo definiu que o mandato do próximo presidente iria de 30 de outubro de 1969 a 15 de março de 1974. O Ato Complementar nº 73, de 15 de outubro de 1969, determinou a abertura do Congresso Nacional, convocando justamente para a realização da eleição indireta do presidente e do vice-presidente da república. O nome do vice foi escolhido pelo próprio Médici. Ambos estavam com 64 anos na época. Seria o almirante Augusto Rademaker, um dos ministros militares integrantes da Junta Militar de 1969 que governou o país transitoriamente entre o afastamento de Costa e Silva e a posse do novo presidente. Médici e Rademaker tomaram posse em 30 de outubro de 1969. Existiam dois partidos políticos à época: o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e a Aliança Renovadora Nacional (Arena). Este último, criado pelo governo para lhe dar sustentação e apoio. No dia 22 de outubro de 1969, o Congresso foi reaberto depois de dez meses de recesso iniciado com a publicação do AI-5. Em 25 de outubro, o general Emílio Garrastazu Médici recebeu 239 votos a favor (todos da Arena), e 76 abstenções. A bancada do MDB, por unanimidade, optou por se abster. “A distribuição foi assim calculada: votantes da Arena: 251 deputados e 42 senadores; abstenções (MDB): 62 deputados e 14 senadores”. O general Médici assumiu a Presidência da República em um momento politicamente muito delicado. Contudo, o Ato Institucional nº 05 lhe dava sustentação e plenos poderes para agir da maneira que considerasse adequada. O governo, por meio de decretos-leis, foi estabelecendo um controle rígido sobre as manifestações de opinião, em todas as suas expressões. No dia 29 de abril de 1970, foi estabelecida a censura prévia a livros e periódicos. O primeiro ano de governo do presidente Médici foi marcado pela oposição radical desses grupos e da forma, bem a propósito, da radicalização dos grupos armados “de direita”, formados por civis e militares que se propunham a reprimir duramente o que julgavam como movimento “subversivo”. A repressão do Estado passou a atingir indiscriminadamente estudantes, artistas, jornalistas e outros profissionais liberais, muitos dos quais em nada relacionados aos ativistas dos movimentos armados. Os funcionários, policiais e militares (muitos deles de formação cultural e intelectual bastante limitada), envolvidos em censura, repressão, controle e investigação política, etc. muitas vezes consideravam um cidadão “subversivo” a partir de atos e fatos não exatamente relacionados à política ou a mobilização ideológica, mas tomando como base conceitos morais ou gostos pessoais particulares (muitos nem sabiam a definição da palavra “subversivo”). O estado de coisas produziu injustiças, pois, de certa maneira, sargentos e policiais de baixo escalão comumente acabavam por desempenhar amplas “funções de juízes”, aplicando castigos corporais ilegais (abolidos há muito da legislação brasileira e que, em certos casos, produziram a morte dos acusados). Em junho de 1970, ano de um dos slogans oficiais se tornou um dos mais repetidos: “Ninguém segura mais esse país”; a Seleção Brasileira de Futebol conquistou o tricampeonato mundial, realizado no México, virando material de propaganda do governo. Não era permitida a divulgação dos discursos da oposição pela imprensa, e a censura era intensa. De 1969 a 1972, os donos de empresas de comunicação “negociavam” a censura com os militares; alguns assuntos tinham sua divulgação terminantemente proibida. Esse “acordo” com os militares foi interrompido a partir de 1972, quando a Polícia Federal ficou encarregada da censura. Mesmo com todo o controle, vazavam denúncias de violências, seqüestros, assassinatos, torturas e desaparecimento de políticos. Delfim Neto, então ministro da Fazenda, aproveitou-se do crédito externo (fácil, com baixos juros) para desenvolver o país em muitos setores de produção. A inflação caiu, não passando de 18% a média anual. Foi iniciada a Transamazônia, a Usina de Itaipu, Programa de Assistência ao Trabalhador Rural, Programa Especial para o Vale do São Francisco, Programa Nacional de Telecomunicações, a Telebrás, e muitos outros, que deixaram o Brasil com uma dívida muito grande com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Depois que deixou a Presidência, o general Médici passou para a reserva. Passou a recusar convites para cargos políticos, só comparecendo a eventos e homenagens, como a inauguração de uma nova unidade do Liceu de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, que recebeu seu nome. Médici discordava da estratégia e dos objetivos do governo Figueiredo, e, em sua opinião, a anistia era uma precipitação, não aceitando a volta às eleições diretas, a devolução gradativa do poder à classe política ou a forma como a imprensa desempenhava seu papel. Emílio Garrastazu Médici faleceu no Hospital Central da Aeronáutica às 10h40 da manhã do dia 09 de outubro de 1985, aos 79 anos. Um ano e meio depois da ocorrência de um acidente vascular cerebral que o havia deixado com o lado direito do corpo paralisado. Foi parte de seu discurso: “[...] Neste momento, eu sou a oferta e a aceitação. Não sou promessa. Quero ser verdade e a confiança, ser a coragem, a humildade, a união. A oferta do meu compromisso ao povo, perante o Congresso, de seus representantes, quero-a um ato de reverdecimento democrático. A aceitação da faixa presidencial, faço-a um auto de justiça e a confissão de minhas crenças. Faço a justiça de proclamar o equilíbrio e a serena energia, o patriotismo e a grandeza com que se houveram os três Ministros militares no exercício temporário da Presidência, que a mim transmitem, no símbolo dessa faixa, pelas mãos honradas de sua Excelência o almirante Augusto Hamann Rademaker Günewald. [...]”.


Garrastazu Médici

Pesquisa: Hélvio Gomes Cordeiro (membro do Instituto Historiar).
Fonte: Presidentes do Brasil, Editora Rio.

BENTA PEREIRA

Heroína Campista
A discutida heroína campista nasceu em 1675, filha do Padre Domingos Pereira Cerveira e de sua mulher Isabel de Souza. Viúva de Pedro Manhães, jovem, com seis filhos menores, Benta Pereira enfrentou corajosamente a vida, cuidando, ela mesma, da administração dos seus bens, que eram muitos.
Benta Pereira de Souza. Heroína local. Uma senhora que viveu no início do século XVIII. Nasceu em 1675 e morreu aos 75 anos, em 10 de dezembro de 1760. Filha do Padre Domingos Pereira Cerveira com Isabel de Souza. Casou-se com Pedro Manhães e com ele teve seis filhos que criou sozinha depois de enviuvar. Era uma mulher de muitos bens e sozinha não só gerenciou a fortuna deixada pelo marido e como educou os filhos.
Aos 72 anos de idade, Benta Pereira montou num cavalo e armada liderou uma revolta contra o 3º Visconde de Asseca, Diogo Corrêa de Sá, donatário da capitania da Paraíba do Sul. Ela lutava não só pela liberdade de suas terras, cujas delimitações haviam sido infringidas pelos viscondes, como contra os pesados impostos requeridos pelo donatário. Criadora de gado bovino numa terra que se transformava em um grande canavial com a exploração do açúcar, Benta Pereira, ladeada por sua filha Mariana de Souza Barreto, lutou sem descanso até conseguir a expulsão dos Assecas da capitania. Lutou pelas terras que havia herdado de seus antepassados que por sua vez as receberam em 1627 das mãos do governador Martim Correa de Sá em reconhecimento pelo corajoso desempenho destes homens nas lutas contra os guerreiros Goitacás.
Quase cem anos foi o período de lutas violentas entre os Asseca, cujo título havia sido criado pelo rei de Portugal para apaziguar lutas familiares na casa de Bragança e os herdeiros dos Sete Capitães (Miguel Aires Maldonado, Miguel da Silva Riscado, Antonio Pinto Pereira, João de Castilhos, Gonçalo Correa de Sá, Manuel Correa e Duarte Correa). As terras em questão, que estavam próximas da Lagoa Feia até a Ponta de São Tomé e que pertenceram originalmente a Pero de Góis da Silveira que acompanhara Martim Afonso de Souza em 1530, haviam sido dedicadas à criação de gado desde 1633 quando currais foram levantados.
É verdade que mais tarde os Viscondes de Asseca ainda conseguiram retomar as terras, sob ordem do então governador do Rio de Janeiro. Mas a festa durou pouco. Os colonos, herdeiros de terras e pessoas comuns já haviam sentido o gosto revolucionário, o gosto de uma independência ainda que tardia, sob o comando de Benta Pereira. E os Viscondes de Asseca, enfraquecidos, logo, logo perderam suas terras. Em 1752 a capitania da Paraíba do Sul foi incorporada à coroa portuguesa.
Muitos a consideram a Anita Garibaldi de Campos, outros a chamam de Joana D’arc, o mais importante é que Benta Pereira foi uma guerreira e não deve ser apagada pela história.
O seu corpo foi sepultado na Capela da Fazenda do Colégio, em Goitacazes distrito de Campos.


Benta Pereira

Texto reproduzido do Blog A cidade Luz http://camposnf.blogspot.com/

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Palestra Ciep Nilo Peçanha (Noturno)

Alunos do CIEP Nilo Peçanha, do Curso Supletivo, no bairro da Lapa, nos dias 07 e 08 de abril, puderam conhecer mais sobre a história de Campos dos Goytacazes (que completou no último dia 28 de março 174 anos de elevação a categoria de Cidade), através do projeto “Instituto Historiar Preservando a nossa história”. A palestra foi realizada por Hélvio Cordeiro e Leandro Cordeiro, (membros do Instituto Historiar). Falaram sobre acontecimentos marcantes da História de Campos (desde o índio Goitacá, até a atualidade).O Instituto Historiar doou um riquíssimo material para a biblioteca do CIEP Nilo Peçanha, para ser trabalhado com os alunos, dentre este material estavam: um histórico sobre o patrono da escola (Nilo Peçanha), capas que mostram a trajetória do Jornal Monitor Campista, fotos antigas de Campos, um resumo histórico sobre o Índio Goitacá dentre outros.Gostaríamos de agradecer a: Ana Paula Rosa da Silva Gomes (Diretora); Adaísa Paes Viana (Coordenadora Pedagógica); a todas as professoras, em especial a Walkíria, Margareth e Ana Lúcia; Joilma (Animadoras Culturais); a Rita, pela atenção especial e colaboração direta; Ana Laura, Neide e Rosângela (Bibliotecárias), aos alunos, e por fim a todos os funcionários do CIEP Nilo Peçanha, pela maneira solícita que nos receberam.Veja abaixo algumas fotos.

Primeiro dia da Palestra




Segundo dia da palestra





Texto: Hélvio Cordeiro (membro do Historiar)
Fotos: Leandro Cordeiro (membro do Historiar).









domingo, 5 de abril de 2009

Série Presidentes do Brasil

Terceiro Presidente da Junta Militar de 31 de agosto de 1969 a 30 de outubro de 1969
AURÉLIO DE LYRA TAVARES:
Nascido em 07 de setembro de 1905, em João Pessoa, capital da Paraíba. Filho de João de Lyra Tavares e de Rosa Amélia de Lyra Tavares. Aos 12 anos, em 1917, Lyra Tavares foi matriculado no Colégio Militar, no Rio de Janeiro, onde concluiu os estudos secundários em 1922. Ingressou na Escola Militar em 1923 e, nesse mesmo ano teve sua redação escolhida pelo Ministério das Relações Exteriores para representar as Escolas Superiores do Brasil perante a Liga das Nações. Em 1925 foi declarado aspirante a oficial da Arma de Engenharia e, em final de 1929, bacharelou-se em Ciências Jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, diplomando-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica no ano seguinte. Em 1926, foi promovido a segundo-tenente, chegando a primeiro-tenente dois anos depois como oficial do 1º Batalhão de Engenharia, e em 1932, foi promovido a capitão e passou a servir no 3º Batalhão de Engenharia, em Cachoeira, Rio Grande do Sul. Tornou-se instrutor da Escola de Aperfeiçoamento de oficiais em 1932, função que desempenhou até 1935. Em 1934, casou-se com Izolina Tavares, tendo duas filhas: Thaís e Ana Lúcia de Lyra Tavares. Recebeu “menção honrosa” ao ser diplomado na escola de Estado-Maior da 5ª Região Militar (Paraná e Santa Catarina). Em 1942, foi promovido a tenente-coronel e, no ano seguinte, era designado “observador militar” junto ao Exército dos Estados Unidos nas operações de invasão da África do Norte durante a segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ainda em 1943, foi aluno do Curso de Comando de Estado-Maior do Exército Norte-Americano, no Forte Leavenworth (Kansas), e nos dois anos seguintes foi Membro do Estado-Maior Especial para a organização da Força Expedicionária Brasileira. Foi oficial de gabinete do Ministro da Guerra em 1945; subchefe da Missão Militar Brasileira na Alemanha durante a ocupação em 1945, e durante o bloqueio de Berlim, em 1948. Chefiou a Missão Militar Brasileira. Foi promovido ao posto de coronel em 1946, comandante do 3º Batalhão de Engenharia e comandante interino da 3ª Divisão de Infantaria, no Rio Grande do Sul, de 1950 a 1952. Durante um período de nove anos foi promovido a general-de-brigada, general-de-divisão, e finalmente general-de-exército. Chegou ao governo aos 64 anos, por força do Ato Institucional nº 12/69, compondo a Junta Militar que permaneceu no poder de 31 de agosto até 30 de outubro de 1969, passando depois para o general Emílio Garrastazu Médici. Depois de sair da Junta Militar, Lyra Tavares assumiu a Embaixada do Brasil na França em 1970, e a cadeira de nº 20 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Às 3h45 do dia 18 de novembro de 1998, na casa de Copacabana, à Rua Inhangá, onde morava com a mulher e as filhas. O general Aurélio de Lyra Tavares faleceu depois de longo período de enfermidade, após sofrer uma parada cardíaca. Ele tinha 93 anos e já se encontrava bastante debilitado devido a graves problemas cardíacos. Foi parte de seu discurso: “Meus camaradas, o que mais me está presente no espírito, ao assumir o Comando do Exército Brasileiro, são as pesadas responsabilidades e as servidões próprias de tão alta investidura. As honrarias da função pública são passageiras e, às vezes, até enganosas, ao passo que as responsabilidades do seu desempenho constituem compromissos de consciência, que contraímos com a Instituição, sujeitando-nos, em todos os tempos, à austeridade do seu julgamento. Revejo-me, agora na posição do jovem oficial, que eu também já fui, ao preocupar-se com os problemas nacionais, com os anseios legítimos da Instituição Militar, com a sua unidade e grandeza de espírito, com a sua eficiência operacional. Bem conheço os grandes problemas com que todos nos defrontamos e o dever que me cumpre de equacioná-los e resolvê-los, com imprescindível e esclarecida colaboração dos altos órgãos de assessoramento do Ministro. [...]”


Lyra Tavares


Pesquisa: Hélvio Gomes Cordeiro (membro do Instituto Historiar).

Fonte: Presidentes do Brasil, Editora Rio.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Campos dos Goytacazes

Em 29 de maio de 1677, durante o período do jugo dos Assecas, Campos foi elevada à condição de Villa, sob a denominação de Villa de São Salvador dos Campos, em conseqüência da construção de uma capela em louvor ao SS. Salvador. Em 1833, foi criada a Comarca de Campos e, em 28 de março de 1835, a Villa foi elevada à categoria de Cidade com o nome de Campos dos Goytacazes, dando início ao progresso na região. Assim é que, em 1875, o número de engenhos locais alcançava a 245, com uma produção de 128.580 arrobas de cana e 3.160 fazendeiros estavam estabelecidos na planície goitacá. A história de Campos dos Goytacazes é fascinante e cheia de acontecimentos dos mais importantes, e de figuras das mais destacadas na História do Brasil. Personalidades como: José do Patrocínio, Nilo Peçanha, Saldanha da Gama, Múcio da Paixão, Saturnino de Brito, Benta Pereira, Azevedo Cruz, Bartolomeu Lizandro, Luiz Sobral, Barcelos Martins, Modestino Kanto e muitos outros, que não teríamos como nomear todos neste espaço. Comemorar a data da elevação de Campos à categoria de Cidade de Campos dos Goytacazes (28 de março) é motivo de orgulho para todos os campistas, por ser um momento histórico para o seu desenvolvimento.

Texto: Hélvio Gomes Cordeiro (membro do Instituto Historiar).